E quem disse que banheiro é um lugar calmo?

W.C. MIsto

Sábado

MUDANÇA




E eles tomam banho juntos! Cirlo PLus às 11/10/2007 vasos comunicantes


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Terça-feira

DEFINIÇÃO
27.08.07

É você deixar seu futuro
ser significativamente influenciado
por outra fonte psicológica.

W. Fernandes


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Sem título.bmp - parte 1
by PH

Crianças. Adoram correr, brincar, e não se preocupam com a vida. Na verdade a maior preocupação era preencher o álbum de figurinhas antes que os outros ou chegar em casa à tempo de ver seu programa favorito na TV. Época que não volta mais. E uma época sem celulares, sem internet e sem TV a cabo para as massas.
Namoro? Beijar na boca? "Blérgh, que nojento! Prefiro jogar bola!" Pensamento típico de um menino de 9 anos. Repito, isso era o que acontecia antigamente. Daí rolava brincar de esconde-esconde, corre-cotia ("...na casa da tia, corre cipó, na casa da vó..."), pega-pega (não é nenhum codinome para alguma brincadeira ilícita, tratava-se apenas de correr um atrás do outro e tentar tocar na pessoa, para que ela te ajudasse a tocar nas outras pessoas, até que não restasse mais ninguém) ou estátua (saudosa brincadeira onde a molecada cantava "panetone-tone-tone, quem mexeu, saiu, fora do Brasil... estátua!") com todo mundo misturado, meninos e meninas. E sempre tinha aquele grupinho de meninas que criava caso e formava casaisinhos entre o grupo. Chegavam até a segurar um menino e uma menina pelos braços e fazê-los ficar perto um do outro, contra a vontade, com o coro de "beija! beija! beija!".
Mas numa dessas brincadeiras pegaram duas pessoas que se gostavam de verdade. O menino tinha uma paixão pela menina há um ano, quando se conheceram. Ela havia se transferido para o colégio vindo de outro Estado. Chegou no meio do ano letivo, mas não teve nenhum problema aparente de adaptação. E ela aparentava nutrir algo pelo rapaizinho. Porém, não demonstrava com clareza, talvez esperando que esse tipo de atitude viesse dele.
Ao final de um ano letivo, ele resolve ir falar com ela. O ano letivo seguinte teria algumas mudanças, e uma das mais significativas seria a mudança de horário para os dois, e a provável mudança de sala, após alguns anos estudando na mesma. Era a deixa para que ele falasse com ela. Porém, algumas coisas na vida são inexplicáveis, e após soar o sinal que determinava o final da aula, a menina sumiu. Evaporou como se jamais tivesse existido. O garoto não acreditava, e decidiu ir até a rua onde ela morava, que era próxima a do colégio. Mesmo sem saber o número da casa, ele foi. E se deparou com um pesadelo: o sonho da primeira namorada esvaiu-se como um gelo derretido debaixo de um sol escaldante.
O destino, porém, parece sinônimo de uma palavra: ironia. Dois anos depois, ele novamente se deparou com a moça, agora estudando juntos na mesma sala. Mas aquela proximidade toda não existia mais. Parecia haver um certo desconforto quando um estava na presença do outro. E isso se seguiu até o momento em que ele, praticamente um rapaz, foi falar com ela. Sim, era o sinal de que as coisas poderiam voltar a ser como antes, e enfim, ele poderia chegar na cara do destino e dizer "Agora sou eu quem dá as cartas por aqui!".
Ainda assim o rapaz não tinha coragem de se declarar "face-to-face". Preferiu o modo romântico da época: uma carta. E nada melhor do que o velho truque de emprestar o caderno e dar um jeito de enfiar a carta no meio dele. Ela tinha faltado no dia da aula de história. E como o caderno era só daquela matéria, não teria problemas em emprestá-lo.
Em questão de uns dois ou três dias, ela devolve o caderno. Ele não demonstra ansiedade, mas seu coração pulsa rápido. Sem que ela perceba, ele abre o caderno e vê uma carta lá no meio. Ele não pensava em outra coisa a não ser chegar em casa o mais rápido possível para ler a resposta. E por que não ler na escola? Foi algo que simplesmente não passou pela cabeça dele.
Era uma noite de quarta-feira. No rádio, o jogo entre São Paulo e Araçatuba pelo campeonato paulista, narrado por José Carlos Guedes, um dos narradores secundários da rádio, porém muito competente. Ele abre a carta, e o início dela tem o mesmo efeito de um tiro no coração. "Gosto muito de você... mas como amigo!"
O restante da carta relatava o que é de praxe: motivos e mais motivos pelos quais a resposta dela fora negativa, porém tentando se fazer entender de que a amizade entre os dois era algo extremamente importante para ela. E junto à carta, um cartão da torcida Independente. Mas antes que seja dito, ele não nutriu nenhum ódio ao SPFC por causa disso.
Era o ponto final na história. Na verdade, por algumas vezes (talvez duas), ele tentou argumentar. Mas sem sucesso. E meses depois, ela inicia um relacionamento com um dos seus melhores amigos. Proposital? Ou seria o destino novamente rindo na sua cara? A única coisa que ele sabia era que o rapaz que estava com ela não sabia como tratá-la da devida maneira.
O ano terminou, e a garota foi embora. Sem despedida. Sequer um "até o ano que vem". Uns disseram que ela havia se mudado para outra cidade. Outros disseram que ela tinha apenas se transferido de colégio. O fato é que o garoto já não queria mais saber dela. Mais por raiva da situação do que por outra coisa.
E os anos se passaram. Cinco, dez... talvez uns quinze anos. Pensamentos mudaram, amores vieram e se foram. Tudo mudou, não só com ele, mas com o mundo à sua volta. E num desses acasos da vida, navegando pela internet, ele reconhece um nome em meio à milhares. Ele busca maiores informações à respeito, e parece não acreditar no que vê. Aquela garota. Era ela mesma. Agora mulher. Fotos provam que seu rosto continua o mesmo. Não tinha mais dúvidas: era ela mesma!
Toda a história veio à tona. Pensou em como seu comportamento fora covarde, mesmo ciente de que era apenas uma criança. Pensou em reparar o caso entrando em contato com a moça, mesmo com indícios de que ela estava namorando, fato este que o fez ficar preparado para qualquer tipo de resposta.
E entrou em contato. E obteve uma resposta.

CONTINUA...

Sobre P.H., acesse: http://www.fotolog.com/universoph
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O POETA ALIENADO
22.08.07

Tudo o que eu quero ainda não
descobri.
Sei que quero,
pois todos querem tudo,
então,
de certo,
também hei de querer
coisas e coisas,
só ainda não as descobri.
A ânsia
em ver o mundo se abrir
como uma mexerica
ante a força bruta dos dedos que perfuram
da crosta
até o núcleo
e, como alavanca
a parte em duas para o bel-prazer da glândulas
degustavas...
queria conhecer meus vícios
meus prazeres e minhas fraquezas
cometer meus pecados de gula e luxúria,
as ganâncias a que tenho direito
e acredito fazer jus.

Mas,
como não parece ainda ter chegado a minha hora,
passo a vida a observar,
com certa estranheza, acrescento,
como as pessoas agem por impulso
e reagem a estímulos,
sem entender lá muita coisa...

W. Fernandes


E eles tomam banho juntos! Cirlo PLus às 11/6/2007 vasos comunicantes


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